Conversava com um amigo pelo MSN e começamos a
discutir sobre a visão da crítica nacional, quanto ao trabalho dos nossos
músicos. Chegamos quase que na mesma conclusão de que por aqui, é muito difícil
ter cultura, já que tudo que temos são produtos manufaturados dos países de
primeiro mundo.
Achei interessante publicar essa conversa, porque imagino que
muitas pessoas tenham a mesma visão, em relação ao tratamento da crítica para os
nossos artistas.
Só quero ressaltar que o início da conversa foi feito com uma
adaptação, para ter um gancho em relação ao assunto. Leiam e se possível dêem
suas opiniões.
Jairo diz: E aí
cara Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: e aí meu Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: ficou de ressaca ontem? Jairo
diz: Fiquei Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: rsrsrsrsrsrsrs Leia: Tudo -
http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Eu
curti o som. Faz tempo que não ia num lugar legal.. Jairo
diz: Foi muito boa... As músicas
tb Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Só o pessoal que era meio indie e não
conhecia os clássicos Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: rsrsrsrsrs Jairo
diz: Normal, o mundo jovem está sendo dominado
pelos indies Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: O problema não é isso! É não querer ouvir o
resto. Quando eu tinha a idade deles era diferente. Ouvia o presente e o
passado. Hoje, parece que só existe o presente Jairo
diz: È isso é, mas quando vc curtia metal vc
também não ouvia o resto... Isso às vezes vem com o tempo Leia: Tudo -
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diz: Ouvia sim. Principalmente anos 60 Jairo
diz: Mas ouvia Gal? Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Ouvia rockabilly Leia:
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diz: não Jairo, Gal não Jairo
diz: Então... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Mas “outros rocks”, quero dizer. Não essas
coisas. Quanto a Gal, aí vc tem razão Jairo diz: Outros
rocks, isso sim... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Mas esses caras não ouvem nem The
Clash Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: rsrsrsrsrsrsrs Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Aí fica complicado... Jairo
diz: Esse pessoal de hoje só olha a música do
presente, no máximo um Nirvana e ficam idolatrando coisas do punk e
pós-punk Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: É mesmo, endeusam o Kurt Cobain. Meu DEUS do
cédu Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Ops, do céu Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Como pode? Leia: Tudo -
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diz: E o pior, agora amam CSS Leia:
Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: rsrsrsrsrsrsrs Jairo
diz: Daí vem minha tese de que o Lúcio Ribeiro é
um embuste por causa de vários motivos, dentre os quais a de que ele não amplia
seus horizontes musicais Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Não amplia em que sentido? Jairo
diz: Não amplia... Não dá para exigir muito dele,
além daquilo que ele lê nas revistas gringas e depois faz um bom copy desk por
aqui... Além do mais é um zero a esquerda em se tratando de música brasileira e
qualquer coisa diferente de rock... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Isso vc tem razão. Mas ele sabe se
autopromover. Isso é o que importa. Por aqui não adianta a gente saber disso ou
daquilo se fazer um marketing pessoal, ele sabe fazer e bem e é amigo das
pessoas certas, etc. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Enquanto eu, fico aqui na minha telinha
lendo as barbáries que eles escrevem. Jairo diz: O Fato
de ele saber se autopromover não significa que seja um crítico bom - é disso que
falo. O Rubens Ewald Filho é o Rei do marketing Pessoal e um banana de
crítico. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/
diz: Eu estava assistindo outro o dia aquele
programa do Multishow, "que rock é esse", aliás, bem legal, e estavam falando da
década de 80 por aqui. Eles entrevistaram o Lulu e o cara disse muito bem sobre
a crítica musical. São colonizados e ainda não aprenderam que nós, muitas vezes,
ensinamos eles a fazerem música, como foi o caso dos Mutantes. No Brasil, ou
você é bossa nova ou é algo parecido com os caras lá de fora. O crítico não tem
uma própria identidade nacional. São completamente colonizados. eu fiquei muito
feliz em ouvir isso de um músico brasileiro cara. Porque, apesar de ele ser um
egocêntrico, tem total razão. E, sinceramente, nunca ouvi ninguém falar assim
abertamente. Alguém da profissão de músico. Jairo
diz: Exatamente...
Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Se vc der uma olhada, na própria comuna da Bizz no Orkut é o típico exemplo: os caras odeiam o Brasil. Eu fico muito revoltado com isso. Jairo diz: Enfim, acho que esse fato de ser "colonizado" existe, além de outros fatores... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Veja o caso do Zé Flávio. Um sujeito nojento que ama não ser brasileiro e agora vai ser um dos responsáveis artísticos da Oi FM de Sampa. Acredita nisso? O cara trabalha com crítica musical e não dá o mínimo valor para as bandas daqui e o pior, não entende nada de rádio.
Jairo diz: Eu não sei se eles odeiam o Brasil e acho que muitas vezes a música brasileira nem é vista com desdém. Tirando uns e outros. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: É vista sim! Os cara não dão a mesma amplitude de espaço, como acontece com os músicos internacionais. Jairo diz: Isso nunca vai acontecer. Em lugar nenhum. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Um exemplo é a lei de que as rádios precisam tocar uma certa quantidade de música brasileira. Acho um cúmulo de que é necessário ter uma ordem judicial para tocar as nossas músicas, sendo que elas, muitas vezes, são tão melhores quanto as dos gringos. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Outro exemplo é essa banda Vanguart. Os caras estão na "onda" só porque cantam em inglês. Sei lá meu, acho que eles não teriam a capacidade de compor em português. Isso também aconteceu com o Forgotten Boys que só compõem em inglês e quando fizeram uma letra em português, foi o caos da concordância de ritmo e poesia. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Uma vez eu falei do Nação Zumbi naquela comuna da Bizz e fui esquartejado pelos caras. Eles disseram que o guitarrista Lúcio Maia era uma fraude e que o Chico Scienze foi tarde. Eu não acreditei nisso. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Sinceramente, depois do movimento Mangue Beat, o que de novo na cultura pop apareceu por aqui? Nada cara!! Nada mesmo! Só essa merda de CSS que não modificou nada na música, digo isso em questão de arranjo e novidades. Eles apenas rearrumaram os arranjos de outras músicas e o pior, não sabem tocar nada e quando se apresentam é por meio de playback. É incírvel como isso consegue se dar bem por aqui. Jairo diz: Mas é que fez alarde lá fora... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Então, como o próprio Lulu Santos diz, se fizer sucesso lá fora, então é coisa boa para cá. Dá para acreditar nisso? Na boa, às vezes acho que lá fora o pessoal é mais burro que daqui. Jairo diz: Mas é assim que muita gente pensa, principalmente os críticos. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Então, dou um exemplo daquela banda. aí caralho esqueci o nome! Como o nome daquela banda paulista de rock progressivo Jairo diz: Violeta de Outono Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Isso Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Eles são fantásticos musicalmente. Mas, nunca tiveram espaço que merecem. É foda meu Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Mulheres Negras era outra banda que foi menosprezada injustamente! Jairo diz: O tipo de música do VO não adapta ao mercado. Ou o mercado não se adapta a ela Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Mas aí que eu te pergunto: como os shows da banda sempre lotam? Não é estranho? Isso pq rola uma mísera divulgação. Jairo diz: Tem um público cativo Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Tem, mas sempre vão pessoas que não acompanham tanto a banda. Digo isso pq naquele show que nós vimos na Fiesp tinha um público bem jovem curtindo a apresentação... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Talvez eles até não tivessem espaço para tocar numa Kiss FM. Mas, caberia bem até numa Nova Brasil FM Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Infelizmente, essas rádios preferem tocar os mesmos medalhões. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Bem, aí é um outro assunto, de jabázão!!! Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Até mesmo o Ludov sumiu...E olha que eles são bons pra caralho. Jairo diz: Tem muito jabá, vc sabe disso!! Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Isso é outra máfia. O jabá é tanto nas rádios, quanto para os críticos e isso é muito aparente!! Jairo diz: Na verdade essas bandas, como o Ludov, sempre sobrevivem no mundinho, às vezes conseguindo um espaço maior aqui ou ali, caso do Vanguard, mas muitas, aliás, nem almejam tanto... O CSS que conseguiu dar esse salto maior Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Não vejo a crítica cultural no Brasil como um sistema imparcial Jairo diz: Imparcialidade não existe... Não no jornalismo, isso é babela!!! Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Mas deveria, não é verdade?Infelizmente eles são como os países lá de fora, principalmente a Europa, são. Jairo diz: Acho que na maioria dos casos é impossível ser imparcial... Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Por que? Jairo diz: Na crítica mais ainda... É um tipo de jornalismo que além de mexer muito com ego, lida com o fator emocional muito forte. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Mas acho meio rude o tratamento com a música nacional Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Bem, isso não vai mudar e quem tentar alguma coisa por aqui, precisa ter um produtor Miranda por trás e cair nas graças de algum crítico besta de renome. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Ou então, via ter que tocar nas noites e trabalhar em um escritório durante o dia. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: rsrsrsrsrs Jairo diz: Bom, preciso ir nessa. Leia: Tudo - http://alexandrocruz.blog.uol.com.br/ diz: Até logo.. Jairo diz: Até
Sentir uma solidão espontânea Sem valor Sem abismo Sem risco Sem alma Sem nada Tudo escuro Tudo claro Tudo ofusca Não a minha visão Mas a minha vida Sem linha Sem canto Sem modo Sem nada Nada Apenas nada O que tenho... Apenas o nada E também não dou valor a ele Sem ele, eu serei um nada? Mas se eu não tenho nada Então sou um nada? Não tenho nem a palavra “tudo” Não tenho nem o “tenho” Apenas o nada E nada mais Nem menos Nada Será que terei fim? Ou nada? Escrito por Alexandro Cruz às 18:25:16
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Somos Ossos e Carne. Não Somos almas
Seres humanos. Não existe no mundo algo mais belo e completo de todas as raças existentes. Uma espécie ímpar, sem cópias e, apesar de tudo, a mais perfeita de todas as vidas. No entanto, e com toda essa exaltação e superlativos à parte, não é bem assim que os próprios seres humanos sentem por eles mesmos.
Nesta semana tive uma experiência péssima quanto ao valor de uma vida e o respeito ao próximo. Estou passando por momentos difíceis, principalmente monetários e tive que cortar alguns gastos de minha vida para conseguir manter outros. Dentre os cortes, o plano de saúde entrou na lista. Bem, achei que isso não seria problema, pois ainda sou novo e acho que não terei nada grave com a minha saúde. Assim espero.
Mas, como tudo que anda numa direção, de vez em quando encontra buracos na estrada. Sofri um acidente em casa e fiquei com uma dor terrível no meu pé esquerdo, algo simples, mas, como muitos já devem ter passado por isso, fica uma “cutucadinha” interminável naquela região e com o tempo começa a incomodar muito.
Para eliminar esse problema, resolvi ir a um hospital. Opa! Quero dizer a um Hospital Público. O local escolhido foi o Hospital Servidor Público Municipal, situado na rua Vergueiro, próximo à região central de São Paulo. Um edifício enorme e com uma grande quantidade de leitos e profissionais.
Ao chegar lá comecei a ficar assustado e preocupado. A sala de espera estava completamente cheia e não paravam de chegar pessoas com problemas diversos de saúde e histórias tristes que provavam como o Brasil é só turismo para gringo ver e nada sério para quem mora aqui.
Meu horário de chegada foi exatamente às 12h50, fui bem atendido pelas recepcionistas e me encaminharam até a “inchada” sala de espera. Foi aí que comecei a descobrir qual é a verdadeira doença dos brasileiros: O Descaso!
Observei um a um, postados em seus bancos, tristes, sonolentos, com dores diversas, sofrimentos e muita, mas muita indignação. Eram pacientes, apenas pacientes, que aguardavam, de maneira até ansiosa para serem convocados a entrar no consultório médico e ter o digno direito de ser examinado. Mas, até conseguir isso, era necessária muita meditação e força divina.
Logo que entrei na sala, resolvi encostar-me em um muro, o qual tinha grande disponibilidade de observar a todos que aguardavam comigo a chamada do médico.
Percebi que o tempo era o maior inimigo de todos naquele momento. Não havia uma pessoa que não tivesse passado menos de 60 minutos ali. Com o andar dos minutos, todos impacientes começavam a puxar conversa e aquilo se tornou uma sala de estar, mas sem chá e biscoitos, onde o assunto principal era o problema particular de cada presente.
Atrás de mim se aproximou um rapaz magro e mancando rispidamente. Como ele não tinha lugar para sentar, usou seu próprio capacete como assento e ficou por ali, bem próximo a mesma parede em que eu me localizava. Conversei com ele, soube que se chamava (ou era conhecido) Carlão Lokão e trabalhava como motoboy. Durante o papo, ele me confessou que tinha chego ao hospital às 10h e naquele momento aguardava o retorno do ortopedista responsável, que estava em hora de almoço. Ao saber disso fiquei me perguntando quem estava atendendo os pacientes e quanto tempo de almoço um médico tinha direito, isso porque já eram quase duas horas da tarde.
Além do Lokão, conheci três professores de escola pública, uma aposentada e até um chinês. Todos possuíam o mesmo discurso de se queixar com a demora do atendimento médico.
O clima e o tempo de espera começou a me afetar também. Tive um súbito inicio de formigamento nas pernas de tanto esperar em pé, fiquei agitado e não conseguia parar de mexer as pernas e braços. Também o meu ar de observador mudou para um ser irracional, tomado de fúria e, posso até dizer, desespero.
Via os funcionários caminharem de um lado para o outro, as pessoas cada vez mais tristes, a tarde indo para o final e houve uma invasão de sentimento ruins no meu corpo. Era algo insuportável, sufocante, terrível. Percebi que depender disso tornava a auto-estima das pessoas péssima, inferior, asfixiada por aquele contexto de desconsideração e falta de respeito com a vida. Era uma tempestade. Estávamos todos naufragando em alto mar e não conseguíamos ver a orla a nossa frente.
Percebi que muitos dormiam para despistar esta situação. Outros, com ares de experiência sorriam e faziam piadas com a ocasião. Alguns casais aproveitavam o momento para namorar ou discutir a relação, era uma praça livre, onde a venda não era a saúde das pessoas.
Quando alguém reclamava ou queria tirar uma dúvida, a resposta era sempre a mesma daqueles seres fardados de avental: “não posso fazer nada; tenha um pouco de paciência que já vão te chamar”. E as pessoas retornavam aos seus assentos, cabisbaixas, com os olhos cinzas e uma vergonha de ser tratado daquela maneira, parecendo que deviam alguma coisa a alguém, mas não sabiam o que era realmente.
Apesar de ser um local de atendimento público, o que muitos não entendem ou sabem, é que os pacientes daquele hospital não são só pobres, são funcionários públicos, trabalhadores, desempregados, donas de casa, vendedores, jovens, crianças, idosos, todos com uma história, uma vida e um direito de ser bem atendido pelos médicos.
Num determinado momento daquela exaustiva espera, uma senhora, mirrada e com seu braço direito imobilizado, chegou ao meu lado e nela havia um semblante de anos de batalha e uma quantidade de vincos em seu rosto detalhava a dificuldade que já havia experimentado para chegar até aquela idade. Mesmo assim, a senhora possuía uma empatia brilhante e logo puxou conversa comigo.
Detalhou o motivo de estar lá e, o pior era a segunda vez que retornava ao hospital, pois no dia anterior, momentos antes da sua consulta, os responsáveis tiveram que atender a uma emergência e deixaram a senhora à deriva. Já naquele segundo dia, o qual eu a conheci, a senhora estava desde as 9h da manhã para ser atendida. Apesar disso, ela conseguia sorrir e dizer calmamente suas palavras e sua situação.
Não sabia o que sentir naquela hora, era ódio do que estava vendo e até sendo parte dele ou pena desta senhora que viveu e não pode aproveitar a sua terceira idade. Meu único gesto foi acenar com a cabeça. Tive vergonha em não conseguir agir como esta mulher, de apesar parecer carregar um enorme peso nas costas, consegue sorrir e ser amável. Queria sumir naquele instante.
Após intensos momentos nauseantes, de tristeza e cansaço mental por tudo aquilo que estava passando, às 15h50 meu nome foi proclamado pelo médico. Entrei no consultório e tive o último e maior sentimento de ser um lixo humano, quanto àqueles médicos. Tornei-me uma cobaia dentro da gaiola e pronta para ser espetada.
Eu estava rodeado de estudantes de medicina, jovens, bonitos, de boa aparência, todos optando, calculando e perguntando ao mestre se a decisão tomada era a correta ou não em relação ao meu caso. Nesse instante, a única resposta que esperava do médico responsável era: “tenta fazer isso, mas cuidado para não matar o nosso ratinho de laboratório”.
Incrivelmente minha consulta durou mais ou menos 10 minutos e saí de lá sabendo que o único problema foi muscular. Fui medicado e dispensado. Ao sair, passei pela mesma sala de espera e tentei olhar na maior quantidade possível de rostos para não perder nenhum sentimento que pudesse passar aos meus olhos. Eram as mesmas fisionomias, cinzas, amontoadas e cansadas.
Descobri que apesar da consulta e dos remédios, não fiquei curado, adquiri a pior doença de todas: a vergonha de depender de algo que é meu por direito e não ter como cobrar de ninguém. A maioria das pessoas que estavam lá não tinha problemas tão sérios, mas ficavam piores por causa da maneira que eram tratadas.
Para os nossos governantes somos estatísticas, números, votos e cifras para exportação. Somos o real, o recorde da safra de grãos, a melhor indústria petrolífera do mundo, detentores da carne bovina de melhor qualidade e o país com aumento significativo de investimentos externos. Sim, queremos ser um país desenvolvido e parece que vamos conseguir.
Só que infelizmente não somos o principal: uma nação humana.
Não é possível que o brasileiro continue sofrendo com a falta de atendimento médico. Atualmente o caso de melhor exemplo é a quantidade de óbitos ocorridos no Rio de Janeiro neste ano, causado por um simples mosquitinho. Mais descasos, falta de respeito e planejamento. Estamos morrendo por causa de uma (pode-se dizer assim) peste medieval.
Quanto aos nossos atendimentos demorados e escassos, os números fornecidos pelos CRM-SP respondem da melhor maneira. Eles apontam que a quantidade de Médicos formados no Estado passou de menos de 800 para mais de 4000 ao ano. Ou seja, só a capital paulista tem hoje 1 profissional para cada 44 habitantes (sendo que a ONU recomenda 1 para cada 800). Não é estranho?!
Todos sabemos que o caminho de todos é para as grandes corporações de planos de saúde espalhados pelo Brasil, que faturam milhões anualmente com suas taxas exorbitantes aos clientes e centenas de médicos disponíveis que recebem pouco. Se for por esse lado, todo brasileiro deveria ter seu plano de saúde. Mas, tem um fato significativo que ninguém consegue enxergar.
Nós já pagamos um plano de saúde. Sim, cobrado pelos descontos de nossos salários e impostos espalhados por nossos dias a dias. Ou seja, hoje em dia, para ser um cidadão de respeito, é necessário pagar dois planos, um público e o outro privado para só assim conseguir ter uma vida segura, caso necessite do auxílio médico?
Os governos municipal, estadual e federal têm-se falado pouco ou quase nada sobre a saúde. Parece que ninguém mais fica doente nesse país. Os hospitais e postos estão na UTI e precisam ser melhoradas.
Quando eu cheguei em casa, tive uma vontade profunda de chorar. Era uma tristeza ao ver aquelas pessoas, que assim como eu (não tiro a minha condição), necessitavam de um auxílio profissional, de uma atenção e acima de tudo respeito. No entanto, éramos atendidos por estagiários, loucos para conhecer os tipos de problemas que o corpo humano possui e a melhor forma são nesses laboratórios humanos, espalhados nos hospitais públicos.
Será que num campo nazista as coisas eram assim? Pois, os livros dizem que os judeus sofreram muito com as experiências dos médicos alemães. E isso não está sendo diferente conosco. Somos uma espécie de prova viva para esses alunos. Se errarem tudo bem, terão mais uma chance, enquanto que nós ficaremos tortos para sempre. O impressionante aconteceu quando toda a equipe médica foi obrigada a assistir uma cirurgia emergencial e o consultório ficou vazio, sem ninguém para atender.
Gostaria de acreditar na saúde pública e buscar tratamento apenas desta forma. Acho que todos aqueles que estavam naquele hospital, principalmente os mais velhos, pensam desta forma. Nos hospital o pensamento é diferente, somos fichas, números e coleta de dados e sangue.
As pessoas querem apenas viver e quando tiver um problema ter aonde procurar e ser atendidas. A vida está cada vez mais sólida, mais racional e mais objetiva. Agora somos apenas um ciclo da natureza: nascer; crescer; multiplicar e morrer.
Hoje percebi que a minha identidade, assim como de muitos, é mais válida para o preenchimento do atestado de óbito, porque não dá tanto trabalho ao Estado e não o obriga a prestar serviço com atenção.
Somos isso mesmo, pele, osso e nervos. Sentimento, afeto, humanidade é sinônimo de religião e isso na medicina não existe.
Dizem que é fácil é proveitoso envelhecer. Não sei bem o que querem dizer com isso, pois a cada ano as coisas estão mais complexas e, às vezes, menos prazerosas. Um dia do ano cada ser gera sua vida por aqui e comemora a sua chegada ao planeta, ou melhor, relembra o dia que colocou os pés nesse lugar chamado vida.
Agora são três décadas e um verão, um por um estou sentindo o peso de ter 365 dias vezes 31 carregado nas costas. Minha vida talvez fosse algo como um bolha de sabão, que sobe, sobe e sobe, e não tem destino de lugar ou de vontade. No entanto, nossa vida é teleguiada por algo ou alguma coisa, conhecida ou apelidada como Destino!
O que significa o Destino? Que diabo é isso que tanto se falam, mas que nunca fora apresentado a ninguém?
Quando se é mais novo tentamos enfrentar esse tal cara, mas as coisas dão tanta voltas que retornamos ao mesmo ponto de partida: o Nada! O que eu pretendo dizer com isso, é que somos apenas átomos eletrocutados e em alta densidade, com poderes e formas únicas e que não conseguimos entender e controlá-las.
Se você gosta de envelhecer deve ser prazeroso, agora se é uma pessoa que não gostaria de contar as datas, acho melhor desistir. Um dia fui atrás de um motivo para não estar entre todos, e sabe o que foi a única coisa que encontrei? Um bando de eu mesmo, mas com demonstrações diferentes.
Eu tive um pai, uma mãe. Agora tenho uma prole e uma continuação minha – está vendo, estou pensando como um velho já, que deixará herdeiros. Poderia acender um cigarro nesse momento, mas resolvi parar a anos para querer viver mais. Será isso certo? Para depois ficar recordando mais coisas que tenha passado?
Não sei o que pensar, mas o sentimento é esse mesmo: Pesado, muito pesado e ainda mais preocupante. Talvez se tivesse nascido em 1901 não aconteceria, ou então, se vivesse no Teocentrismo acharia que tudo que acontece e sentimos é obra de DEUS, porque foi Deus que quis, e ninguém pode tirar isso.
Essa fase de estupros em coluna, ou melhor em série, na mesma pessoa, não passa de um fato no cotidiano da sociedade brasileira, mas que fechamos os olhos para isso! Como é o caso do PA, onde a coitada foi violentada por inúmeros presos sem nomes e sem identidade, apenas com o número de detenção, não é diferente se você andar por regiões mais selvagens e longínquas desta terra centralizada e de foco apenas no sudeste brasileiro.
Não dá para entender, nem tão pouco compreender que ultimamente o país está tendo uma crise sexual. Isso se deve ao fato de termos estupros desse porte, ou mesmo a descoberta de inúmeras boites nas metrópoles brasileiras. Mas, espera um minuto! Descobrir boites no território nacional?!
Isso já existe desde a sua colonização e, por meio de propinas diárias, nunca são “descobertas” – quero dizer desmascaradas. Fomos e ainda somos colonizados. Mantemos a linha do faz de conta que não vi nada. E tudo fica como está.
Parece que não, mas o presídio do PA lembra a velhas senzalas, onde as escravas transavam com os escravos e não eram defendidas, por seus capatazes. Será que hoje isso é diferente? Claro que não!
A declaração do delegado responsável pela segurança da sociedade daquele Estado nortista confirma isso. Faz que não entende e se diz tapeado pela moça, que não quis identificar a sua verdadeira idade. Espera aí, independente da idade, uma mulher tem que ficar presa longe dos homens e não jogá-la a jaula de leões sedentos por sexo, que muitos deles há tempos não sabiam o gosto e sabor de uma mulher, devido ao tempo que estão presos.
O país sofre uma vergonha (i)moral do conceito sexual e nós continuamos sem fazer nada. Essa é a maior vergonha, porque essa cegueira voluntária só nos torna cúmplices dessa sociedade suja, não pelo sexo, mas pela moral fantasiosa. Basta você rodar na mais famosa rua boemia de São Paulo, a Augusta, e sentir o que é saber e ver que há milhares de boites (consideradas casas noturnas), cujo seus funcionários ficam na porta convidando os transeuntes a entrarem e aproveitarem as belas mulheres, a preços bastante convidativos. A mais pura conservação tradicional do comércio medieval das prostituas aos moradores das antigas cidades.
Nesta rua você encontra ricos, mendigos, pobres e, principalmente, centenas de policias (militares e civis) zigue-zagueando entre as prostitutas e seus cafetões e tapando os olhos e enchendo os bolsos de propina. Vale lembrar que nessa mesma rua encontra-se um distrito policial e bem próximo à Quilt, considerada a mais famosa boite de São Paulo.
Agora, voltando ao PA, não dá para ficarmos constrangidos por um tempo e esquecer na próxima semana tudo o que aconteceu. Talvez essa pobre menina tenha se tornado um caldeirão de DST. E será que o Estado se encarregará de cuidar do seu problema? Apesar de tudo, o seu pensamento deve estar vazio e a sua vida não deve ter mais valor. Isso porque o miserável delegado já promoveu esse sentimento, não importando a sua sexualidade e a mandando para um bando de seres descontrolados e amotinados em uma cela cúbica, sem iluminação, cor e até mesmo vida.
Uma coisa é verdade, o delegado pediu afastamento e, a essa hora, momento em que estou escrevendo isso (03h28 da manhã), deve estar dormindo com a sua família e com sua esposa, limpa, cheirosa e sem nenhuma virose contraída por algum ato sem permissão.
Delegado, quero que durma em paz e pense em DEUS como deve ter sempre pensado, porque acho que esta moça não levou tiro de pedra, mas merece se transformar em uma Maria Madalena e perdoá-lo pela ignorância e machismo hipócrita que o mantém vivo... Escrito por Alexandro Cruz às 03:33:33
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Textualizar....
Por que as coisas são assim? Não consigo entender, ou melhor, me entender! A cada teclada sinto um vazio em meu pensamento e um sombrio sentimento. Mas é isso que acontece quando escrevo. Talvez não pela própria profissão que sou obrigado a exercer com as letras para os outros lerem e entenderem a mensagem. Oras (!) por que eu não posso apenas falar?! É tão fácil!!!
O problema de escrever é sentir e isso é unipessoal e apenas só. Eu tenho muito de escrever e depois no final não entender. Odeio-te, mas amo-te por igual.
A cada palavra produzida é uma batida mais forte do meu coração. Talvez isso seja apenas a dor do nascimento, já que não posso parir, nem ao menos engravidar. Apenas imagino que seja assim que uma mulher possa sentir no momento do parto. Só que depois ela se derrama em alegrias e chora por amor e orgulho por aquilo que acaba de gerar. Na escrita, bem, pelo menos comigo, a coisa é bem diferente. Quando termino um texto não quero chegar nem perto dele. Sinto vergonha, tristeza, vazio, solidão e, principalmente, a morte. Não acho que tenha nascido algo, apenas que saiu algo de minha mente sem explicação.
Quando sofro penso escrever, mas aí eu sofro mais ainda em começar a escrever!
Minha vida está em torno disso? Terei que sofrer para sempre? Por que não trabalho em algo sem que tenha que produzir para os outro entender?
Isso é difícil, me sinto um masoquista que apanha, apanha, e não deixa de lado e pede mais, cada vez mais para apanhar!
Outro dia entrei em uma crise aguda! Martelei meu teclado e chorei desesperadamente, pelo simples motivo de não ter conseguido achar um sinônimo para a palavra “promissora”. Foi um pesadelo, não sabia o que fazer, queria desistir de tudo. O valor da escrita é imortal, invejo os imortais escritores que há séculos “procriaram” seus textos e se nunca mais desencarnaram do planeta Terra. Sim, nunca mais desencarnaram, porque cada cópia de suas obras espalhadas pelo mundo, é um pedaço de seus corpos e mentes, sendo absorvidas pelas pessoas e perpetuando as vidas desses autores.
Estou triste porque acabo de olhar o que fiz e não tenho a mínima vontade de ler. Não irei corrigir nada, apenas vou deixar assim. Talvez um dia uma pessoa leia e faça com que eu me torne imortal (será?). Escrito por Alexandro Cruz às 09:48:28
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Carta à Revista Rolling Stone
Essa foi o limite, depois que a RS soltou na sua edição de aniversário o Fausto Silva na capa e com o título de maior apresentador do Brasil. Não pensei duas vezes e enviei uma carta aos editores, demonstrando meu total desgosto com essa revista que já teve dias melhores nesse 12 meses de (re)existência:
Há um ano leio e acompanho a revista e, com o passar do tempo, resolvi assiná-la para garantir mensalmente as notícias deste magazine comportamental, musical e até político. Porém, de uns tempos pra cá, comecei a ter arrependimentos em relação a algumas edições e, principalmente, da forma como alguns temas estão sendo abordados.
Agora, para deixar qualquer um sem rumo e sem direção, vocês resolvem colocar o Faustão, o apresentador da senhora e do senhor da família aos domingos e que não tem nada a ver com o público leitor desta revista. E para piorar, colocam um grande erro de título, pois nomeá-lo como o maior apresentador do Brasil, é sem sombra de dúvida uma tremenda falta de conhecimento televisivo. Desculpem-me, mas ele só pode ser considerado o maior por causa do tamanho. Fico impressionado com vocês que resolveram deixar de lado o realmente GRANDE e ainda MELHOR apresentador nacional, Silvio Santos, que deu aula às pessoas, como o próprio homem desta capa, a se tornar o que é.
Parabenizo o senhor (melado) editor Ricardo Cruz, e que talvez por ser tão amigão do Faustão, resolveu fazer uma entrevista chapa-branca, puxando o saco e colocando-o entre os grandes nomes da TV brasuca sem questionar coisas mais interessantes, ao invés deste papinho planejado e com edição de acordo com o gosto do cliente (o próprio Fausto). Esse tipo de matéria só demonstra a falta de coerência e, principalmente, desrespeito aos leitores que consomem a revista com a esperança de adquirir notícias boas sobre o pop nacional que está em falta por aqui. Uma entrevista na presença do advogado?(!) O que isso quer dizer afinal?
“Você acredita no Brasil? Quantos Filhos você tem? Você gosta de beber?(!) Onde estão indagações como a que ele passou no período de 2005, em que a sua audiência estava caindo para o Gugu e conseguíamos notar o seu desespero ao vivo em relação aos pontos do Ibope? Num momento me senti lendo uma matéria da Ilha de Caras, ou quem sabe na Ilha de Pedras?(!). Que Assis Chateaubriand perdoe esta revista colonizada ou então o editor quer trabalhar na Globo.
Outra coisa bastante constrangedora é perceber que a entrevista fora baseada em uma minuciosa pesquisa no site do YouTube e que o senhor Cruz não entende de TV e muito menos sabe da história. Ah se não fosse a Internet!
Será que nas próximas edições serão “personas“ como, (quem sabe?), a Mônica Veloso? Em matéria de conhecimento e principalmente com esse tipo de parcialidade (comprada) sobre a TV brasileira, vocês estão no caminho certo: dividir o cesto de revistinha disponíveis nos salões de beleza. E, infelizmente, tudo isso demonstra a despreocupação da matriz com o Brasil por deixar colocar uma capa como esta. Parece que o primeiro ano passou desapercebido e nada aconteceu por aqui. Depois disso, a solução é adotar a medida que acabo de fazer, ao terminar esse pequeno texto: cancelar a assinatura e esperar que alguma outra revista de qualidade possa aparecer por aqui e que tenha coragem de mostrar o que é verdadeiro e não o que é Global como a Rolling Stone fez.
Mais uma vez o senhor Kassab mostra o seu pensamento ‘burriquito’ em relação à administração de São Paulo. Agora o excelentíssimo zelador da cidade resolveu proibir a distribuição nos semáforos paulista de jornais e impressos de divulgação. Essa mais nova preocupação do senhor prefeito é uma lei que só será permitida a distribuição, em outros locais da cidade, de jornais com, no mínimo 80% de matéria jornalística. Nos semáforos, porém, a proibição deste tipo de impresso é total e dependerá de prévia autorização do prefeito.
Opa! Então não veremos mais aquelas mocinhas entregando panfletos de concessionárias, apartamentos, supermercados e até casas de swingue?! Que maravilha não é mesmo?(!) Finalmente teremos a liberdade de parar no Farol (só paulistano fala assim) e ficar esperando até que ele abre sem nenhuma propagandista vir nos oferecer os panfletos e, por uma ação irracional, nós os pegávamos e enchíamos nossos carros com estes anúncios e jornais gratuitos.
Mas, há uma questão que roça a minha mente: para onde irão essas pessoas que ganhavam um trocado distribuindo os jornais e com esse dinheiro até ajudavam em casa? Será que eles terão que voltar aos semáforos, só que ao invés de prestar serviços estarão pedindo esmolas? E como ficam as empresas de publicidade, gráfica e até de distribuição?
A resposta está nos olhos de todos, o número de desempregados mais uma vez aumentará e o governo não terá, de novo, condições de empregar essas pessoas, porque não existem vagas no estado e estamos falando de serviço informal, sem registro e só ganha quem distribui mais.
Da mesma maneira que o dito cujo Kassab fez com as empresas de mídia exterior, ele está fazendo agora com as de distribuição e divulgação de produtos e até mesmo notícias. Para quem não se lembra, quando aconteceu a proibição das publicações de painéis eletrônicos na cidade, por um motivo “falso” da diminuição de poluição visual, contestável já que ele tira os painéis, mas abre o Vale do Anhangabaú para o trânsito de carros (incoerente mesmo) inúmeras empresas de mídia tiveram que fechar as suas portas e as gráficas diminuíram muito seus lucros, isso porque ninguém mais as contratavam para a impressão de lonas, produto utilizado nos painéis eletrônicos e eram sinônimo de lucros mensais.
Já que ele se preocupa tanto com esse comércio nas esquinas de São Paulo, porque ele não resolve o problema de inúmeros flanelinhas espalhados pela cidade e que também ficam nos semáforos? Muitos deles agem como marginais, obrigando a população desembolsar valores monetários altos para não perder o seu bem adquirido: o carro. Ou seja, pagamos fortunas de IPVA e outros impostos e não encontramos um policial para nos proteger em relação a essas pessoas. Porém eles estão fazendo isso porque também fazem parte do número de desempregados. Talvez algumas dessas pessoas eram funcionários de alguma empresa de mídia, que fechou suas portas e colocou todos nas ruas. Ta vendo, é o ato da ação e reação!
O Brasil é um país dos excluídos e de pouco acesso à educação, saneamento básico, saúde e segurança. Está na hora deste prefeito, que não foi eleito, porque a população votou no mentiroso do Serra, dar atenção ao que a cidade realmente necessita. Infelizmente ele só está tirando o emprego de quem já não tem e estava conseguindo ganhar alguma benefício com esse tipo de serviço prestado.
Por favor, alguém diga a este sujeito que a cidade vai acabar virando um grande celeiro de indigentes, famintos e sem perspectiva de vida. Imagino que a próxima preocupação do senhor Kassab será em proibir os motoboys na cidade. Afinal ele quer deixar as pessoas desempregadas para ter o total direito de chamá-las de VAGABUNDAS, como fez a um ex-funcionário de uma empresa de mídia.
Numa manhã do dia 29 de julho, domingo chuvoso e com uma temperatura de 8º.C, algumas pessoas resolveram sair às ruas e protestar contra os últimos acontecimentos no Brasil. São fatos indiscutivelmente tristes e vergonhosos para a nossa sociedade, em que presenciamos coisas como roubos, caixa dois de nossos governantes, confissão de pagamento de pensão à amante, problemas internacionais de relacionamento diplomático e muita, mas muita violência, que se tornou habitue em nossas vidas.
Mas, nessa caminhada, o foco principal foi um acidente aéreo no dia 18 de julho, deixando o mundo aterrorizado e perplexo com as imagens vistas e, principalmente, como tudo isso aconteceu. Só para deixar arquivado no meu relato e como forma de uma lembrança detalhista, prefiro relembrar como ocorreu e deixar claro às pessoas que poderão vir a ler meu texto futuramente. Bem, o vôo 3058, da empresa aérea TAM, ao aterrisar, não conseguiu frear na pista de Congonhas, atravessou a avenida Washington Luiz e acabou se colidindo com o prédio comercial, da mesma empresa do avião, no outro lado da avenida e explodiu. O desastre teve 199 vítimas entre passageiros, tripulação, funcionários que estavam no prédio e algumas pessoas que passavam pelo local na hora.
Congonhas está simplesmente localizado em uma região completamente habitada com edifícios enormes, casas residenciais, comércio e rodeado por avenidas importantes para São Paulo, onde circulam milhares de carros diariamente. Tudo isso fica explicitamente ao lado (literalmente) deste aeroporto, fundado na década de 30, e que recebe centenas de aviões dia a dia, com seus milhares de passageiros e de rotinas de embarque/desembarque frenético, preocupados com a hora e com a mesma pressa “freak” de chegar a algum lugar.
Naquela noite, o acidente mobilizou o Brasil e o mundo devido à gravidade da situação e da forma como aconteceu. Outra coisa, para piorar ainda mais, é que São Paulo virou a cidade mais intransitável do país e o avião caiu justamente na hora do rush, momento em que todas as vias paulistas estão carregadas de carros e engarrafamentos quilométricos. Parecia um apocalipse causado por esse pássaro de metal que explodiu em um horário inadequado e sob um dia monocromático e chuvoso, além de muito frio.
Depois que a fumaça baixou os problemas continuam, e com um fogo mais alto e sem estimativa de fim. Agora o problema são com aqueles homens das cadeiras de couro e com seus ternos, relógios e celulares impagáveis para o meu poder financeiro, estão em uma batalha entre Davi e Davi, onde o mais idiota perderá.
São acusações entre os governos (municipal, estadual e federal), órgãos responsáveis pelo setor aéreo e claro, as empresas privadas. Todos querem achar um culpado que possa dar o motivo deste caos nos meios de transportes. Mas, até agora, ninguém pensou em trabalhar junto para um bem-comum da sociedade e - ainda tenho esperança nisso - que nos dêem boas explicações sobre tudo que está acontecendo. Até agora nada ficou resolvido e apenas mais uma lona de circo político está armada nessa arena brasileira.
Porém alguns cansaram e resolveram protestar, mas..., voltando àquela manhã dominical, as pessoas tiveram a boa vontade em acordar cedo e participar. Mas, não querendo, só que já sendo, não representava a maioria da população brasileira. Durante o percurso não consegui deixar de reparar nos participantes e como se apresentavam para tal ato. Foi um desfile a parte: mulheres com seus casacos de pele, homens belos e com aparência de possuir cuidados especiais na vida, crianças em seus carrinhos de bebês com amortecedores e rodas enormes, e os cachorros, (ah os cachorros!!), eram todos de puro sangue, encoleirados por seus donos que mostravam os diversificados pedigrees de Labrador, Collie, São Bernardo, entre outros. “Todos estavam caminhando e cantando e seguindo a canção”.
Sim é essa frase mesmo que eu uso, porque além da manifestação convidaram o músico Seu Jorge como “animador principal” e sobre o carro de som o músico entoou a canção de Geraldo Vandré para os participantes “Cansados” das atroticidades e do desreipeito com a sociedade.
Bem essa minha visão tem a ver com esse tipo de pessoas que participaram e como é a vida dos paulistanos. Foi tudo bonito e bem organizado, houve abraços aos bombeiros, pessoas do acidente da Gol também sendo condecoradas, e muitas palavras de protestos, como “Marta, Relaxa e Fora”.
Só que a verdade de tudo isso, não havia uma pessoa pobre, com certeza, e além disso, incrivelmente todos xingavam e insultavam apenas o Governo Federal. Claro, com todo o direito, mas isso me deixou encafifado. Por que só culparam o Governo Federal?
Onde está o “Cansei” contra o desmoronamento do Metrô? Cadê a luta contra a colocação de pedágios nas vias públicas paulistas? E que também não podemos esquecer que essa mesma sociedade reivindicalizadora poderá ser chamada de “Vagabunda” por nosso preparado(?!) e qualificado(!!) Prefeito Kassab, como aconteceu com o coitado do cidadão (claro, pobre) que reivindicou trabalho para este chefe de Estado após ficar desempregado, devido a proibição de Publicidade em áreas públicas de São Paulo e acarretou com o fechamento de inúmeras empresas de mídia exterior.
Ao que parece, este protesto tem uma base forte de divulgação, mas está claro que os interesses são plenamente para uma segmentação da sociedade. Para se ter uma idéia, durante o trajeto eu ouvi um grupo de pessoas conversando, e dentre eles, havia um individuo comentando seu novo desafio profissional: Ele possuía uma imobiliária e estava tendo bons resultados. Opa!! Imobiliária?!! Mas eles não são os grandes culpados por estas construções irregulares ao redor de aeroportos, em que usam Lobys sujos e de pouca ética para conseguir os seus terrenos e comercializá-los? Acho queele não tinha noção do protesto, ou era simplesmente o Judas na passeata Cansei.
Esse movimento não está sendo bem visto, logo no seu inicio houve especulações de que estaria ligado ao PSDB e Democrata. No entanto os dois partidos mais o Cansei negaram tal envolvimento e afirmaram que tudo é uma organização social. Mas que social? Infelizmente está bem claro que foi um ato para poucos, já que em nenhum momento – por exemplo - as pessoas reclamaram sobre o buraco do Metrô, porque – simplesmente – está claro que eles não utilizam desse tipo de transporte.
Agora o Cansei está com um marketing agressivo para mudar a sua imagem, estão acontecendo entrevistas com os organizadores em programas de TV, rádio, Internet, impressos e a participação de pessoas da Mídia. Um exemplo será no dia 17 de agosto (sexta-feira), em que haverá um ato no centro de São Paulo com a participação confirmada de Ana Maria Braga, Fernando Scherer e Osmar Santos. Mas e a Xuxa, ninguém convidou?
O problema desse tipo de reinvindicação contra o Governo Federalm abolindo os erros dos governantes Estadual e Municipal, gerou motivos para outras entidades acusarem a ONG de ser parcial e de direita. O problema maior foi a mudança de foco, ao invés de ter o bem comum da sociedade como o motivo dos protestos, tornou-se uma guerra política entre esquerda e direita, e mais uma vez o povo ficou em segundo plano.
Sinto-me no direito de ficar revoltado com esse protesto e por ser um ato regional, com liderança de uma pequena porcentagem da população paulista – classe média alta - de pensamento conservador e com muita descriminação em relação a outras classes sociais.
No Brasil é costume os protestos serem liderados pela classe média alta, isso vem desde a ditadura, quando FHC, Serra, Montoro, Gabeira, entre outros, colocavam suas idéias em práticas porque tinham dinheiro e não precisavam se preocupar com gastos ou mesmo exílios, tinham condições. Ao contrário o que aconteceu com um pequeno nordestino pobre, onde liderou a marcha dos sindicalistas na Grande São Paulo e ganhou uma viagem direto para a cadeia.
Pessoas com poder aquisitivo melhor tem até o direito de protestar em qualquer lugar, quer um exemplo? Imagina se a invasão na Reitoria da USP, realizada pelos alunos, fosse organizada pelo MST, com certeza os integrantes ficariam algumas horas no local e seriam expulsos pela polícia com gás lacrimogêneo e bomba de efeito moral. Você duvida? Então tente refletir sobre isso...
Eu ia até esquecendo de contar, isso já faz um tempo, mas era impossível não deixar de descrever o que aconteceu comigo, após assistir este filme que, como todos já devem saber, é uma adaptação da obra do escritor (meio maldito independente) Lourenço Mutarelli e que teve a direção de Heitor Dhalia e foi produzido com pouca grana e muita paixão pela sétima arte.
Mas eu não quero falar sobre o filme, porque para isso existem centenas de especialistas no assunto, que sabem tão quanto melhor discorrer sobre os pontos e relatos deste longa. Apenas vou retransmitir o que essa comédia me causou.
Quando o filme havia acabado e começou a subir os caracteres, comecei a ficar atordoado e com um sentimento estranho. Como fui assistir no Espaço Unibanco, decidi retornar para minha casa a pé e foi aí que as coisas aconteceram!
O trajeto pela Avenida Paulista começou exatamente na hora do Rush paulistano e houve uma invasão de pedestres por todos os cantos que apareciam por todos as quadras durante esses mais de 3 km de extensão. Nesse momento, aludido ainda pelo filme e com a impressionante imagem daquela garçonete, interpretado pela atriz Paula Braun, com o seu memorável glúteo famigerado, não me agüentei e comecei a olhar para todas as mulheres que passavam pela minha frente, lados ou mesmo atrás.
Era algo maravilhoso em observar. Aquelas mulheres com seus maravilhosos bumbuns, “balangueando” em uma sintonia individual e perfeita que cada uma possuía, me deixou embasbacado. Minha mulher que me perdoe, mas eu estava ainda no clima da produção cinematográfica e não tinha como me conter.
Cruzei a Pamplona, Augusta, Brigadeiro Luis Antônio e a cada quarteirão elas estavam lá, todas desfilando e aguçando minha testosterona ao máximo. De novo, mas realmente, a minha mulher tem que entender isso. Porque eram japonesas, negras, loiras, ruivas e de todos os tipos e de todos os tamanhos. Era uma “abundasia” (acabei de criar esse termo) coletiva.
Foi aí que eu me dei conta de como o Cheiro do Ralo trouxe de volta o velho e bom ar do gosto e da preferência nacional, em que os bons filmes da queridíssima boca-do-lixo (isso é pessoal mesmo) exaltavam ao extremo durante aquele período de ouro, da década de 70: A bunda como a verdadeira paixão nacional! Ou seja, me desculpe ilustríssimo Policarpo Quaresma, mas isso sim é a verdadeira Exaltação da Pátria.
Essa devoção não é um simples sentimento, é uma forma de expressar tudo o que estávamos perdendo e ninguém queria mais colocá-la nas telonas. Tanto é, que achei que o personagem Lourenço (Selton Mello) fosse uma incorporação total do canalha e cretino Jesse Valadão.
Porém, no auge da minha loucura comecei a procurar algum ralo, coisa impossível de encontrar em uma avenida, para tentar sentir aquele aroma e clima que o filme me passou.
Entre tantas bundas e personagens que eu consegui avistar durante a minha volta para casa, percebi que os produtores do longa conseguiriam facilmente criar uma trilogia, com: “O cheiro do ralo externo e o ralo em versão boca de lobo”.
Agora, que foi difícil querer voltar para casa isso foi, eu estava empolgado e acho que conseguiria percorrer toda a Avenida Paulista umas 3 vezes. Porém, percebi realmente que aquilo é o que o brasileiro gosta de verdade: Maldição, pobreza, platonismo (pelo corpo, ou melhor pela bunda), mas tudo com um jeito de levar a vida brincando e rindo.
Não entendia direito como a bunda era significativa na minha vida, depois que assisti ao filme comecei a acreditar que havia encontrado a minha alma gêmea, ou melhor as minhas almas (uma maneira discreta de dizer bundas, como se eu estivesse metaforizando a personagem principal). Opa, que personagem principal?
Ela mesma: a querida BUNDA!
Mas, como a vida não é um filme, só que a sorte também pode acontecer conosco. Quando cheguei em casa, minha mulher havia acabado de sair do banho. Não agüentei e... Isso mesmo, fui até o ralo do meu banheiro para ver se conseguia sentir algo, além daquilo que todos já sabem que eu estava sentido.
O resto do fato, que aconteceu sobre o ralo, fica por sua conta e imaginação...
Após uma ótima aparição no ato público da Parada GLBT, nossa ilustríssima Ministra do Turismo parecia que estava em clima de festa e com seus hormônios a toda nesta quarta-feira, durante uma entrevista.
Oras, não é possível que durante uma cerimônia solene e bastante aplaudida, onde anunciou novos investimentos para a sua pasta responsável, que também é uma forma vital para o nosso PIB, venha fazer uma declaração daquelas, que deixa qualquer um de cabelos (pubianos) em pé.
Pois é prezada ministra, imagina mandar um senhor de 80 anos “relaxar e gozar” é meio turbulento, ainda mais se ele resolve fazer isso no saguão do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Já pensou no que poderia acontecer?
Agora, imagina um pai, severo e muito protetor de suas filhinhas, que ao olhar para o lado se espanta quando encontra suas pimpolhas fazendo o que a Marta falou. E, ao tentar chamar a atenção, se vê obrigado a deixá-las terminar o evento, porque todas têm a resposta na língua: “Pai, isso é uma lei Federal, e nós seguimos a justiça desse país”.
Pelo menos a Marta enfatizou nossa identidade nacional: O país das bundas!
Ainda bem que ela se desculpou, pois eu já achava que estava vivendo em Sodoma e Gomorra. Mas bem que a Marta poderia andar com um “breque de burro” – termo usado por minha antiga professora de ciência, que dizia isso quando fazíamos alguma coisa errada – e tomaria jeito quando fosse dizer algo.
Mas, realmente, gostaria de saber se usaria esse mesmo termo quando seu querido marido, vindo da Argentina e ficasse impedido de pousar no Brasil, devido ao excesso de atraso, conseguiria deixá-la relaxada nessa situação?
Como disse Franz Kafka: “O sentido da vida é que ela acaba”. Será que isso nunca vai acabar nesse Brasil Baronil?
São Paulo recebe mais de 3 milhões de pessoas na sua 11ª. Parada do Orgulho GLBT, onde deixa a cidade colorida, sem preconceito e que mais uma vez se tornou a maior do Mundo.
Plumas, paetês, salto plataforma, muito colorido e milhões de pessoas seguindo a música do carro de som, com muita empolgação e alegria. Isso não é em fevereiro e não era o carnaval. Tudo isso aconteceu na 11ª. Parada do Orgulho GLBT, realizada na em São Paulo,10 de junho, último dia do feriado prolongado de Corpus Cristi.
O trajeto de todo o evento começa na Avenida Paulista (na altura do Trianon Masp), desce a Rua da Consolação e acaba na Praça da Republica. Mas, o local que mais recebe pessoas e onde a festa é mais animada, como acontece desde o seu inicio, é mesmo na tradicional Paulista. Com todos os seus prédios empresariais, uma identidade de miscigenação mundial de cultura, raças e nacionalidades, considerado o centro do capitalismo brasileiro e por ser o lugar mais alto de São Paulo, não haveria outro lugar melhor a ser escolhido.
Desde as 13h30, passaram mais de 3 milhões de pessoas, que juntas, procuraram chamar a atenção de todos para a conscientização do direito de cada indivíduo poder escolher a maneira que queira amar e, também, mostrar e reivindicar contra a discriminação sexual, ou melhor, a social. Tudo sob um Sol escaldante e uma temperatura a 30º C e um céu sem nuvens, que cooperou muito para o evento.
Conduzidos pelas batidas do house, techno e psy, ao entrar no meio de todo aquele aglomerado de pessoas, podia se deparar com casais gays, heteros, senhoras, senhores, crianças, famílias inteiras, turistas, e muito clima de “pegação” entre a galera do rap, dos micareteiros e raveiros, mas todos estavam na mira da paquera. Ou seja, uma grande festa popular e que hoje faz parte do guia turístico paulistano.
Já os travestis tiveram o seu dia de rainha e fama, com extravagância exorbitante em suas roupas, algumas com cortes e decotes que as deixavam quase nuas, eram muito requisitadas durante todo o trajeto, onde as pessoas pediam incansavelmente para serem fotografadas ao lado delas ou mesmo tentar algo a mais.
Além dos travestis, deparávamos com cowboys, heróis dos quadrinhos, a Turma da Mônica, guerreiros(as) medievais, diabinhas, políticos do colarinho rosa e uma grande quantidade de ronaldinhas, era um show de fantasias e diversão.
Mas a festa não era apenas sinônimo de folia, apesar de... O principal de tudo isso é o caráter em defender uma situação de vida dessas pessoas, que sempre viveram uma inquisição da sociedade, que tenta mascarar o que sempre aconteceu. Neste ano, a parada além de protestar pelos gays, também aderiu à luta contra qualquer tipo de preconceito: gays; nordestinos; negros; pobres; imigrantes; seja o que for, o movimento buscou a utopia popular positiva, sob o slogan: Por um Mundo sem Racismo, Machismo e Homofobia. Tudo com o intuito de aumentar a voz dos oprimidos que muitas vezes não conseguem nem mesmo a ajuda da defesa pública.
Infelizmente não foi só de alegria que aconteceu a Parada, ocorreram alguns furtos (principalmente de celulares e câmara digital) e brigas entre alguns participantes, promovidos pelo comércio barato de bebidas, como o valor da garrafa de vinho, vendida a R$ 4. Muitos também reclamaram da pouca quantidade das cabines de banheiros instaladas em todo o percurso.
Todo esse clima não aconteceu só no trajeto da Parada, por toda a capital paulista, como em bares, shoppings e parques, podiam-se encontrar casais gays curtindo o local, não se importando com a descriminação e acostumadas a irem a lugares que são freqüentados apenas por esse público. Coisa que não é habitue em São Paulo, que é uma vergonha, já que é a Capital Mundial do Orgulho Gay.
No final, o local foi tomado pelo último bloco do evento, que eram as duas fileiras de Garis, encarregados em deixar a avenida limpa e trazer de volta a rotina desta cidade com trânsito caótico e de pessoas apressadas.
Segundo os organizadores da Parada GLBT, mais uma vez, o evento foi o maior do planeta e esta 11ª. Edição mostrou que a população está ficando menos intransgressivel e consciente de que o sentimento principal não aquele reparado pela sexualidade, é sim pelo fato de se ter “respeito” ao próximo. Bem, pelo menos é isso que acontece uma vez ao ano com suas cores intensas e alegria exacerbada, agora só falta que seja assim nos outros 359 dias.